A Luta dos Negros Bancários do ABC

Uma publicação do Centro de Estudos Sociais e Sindicais 1º de Maio

No setor bancário, a luta sindical visa estabelecer salários mais justos, em relação ao faturamento das empresas do setor. Além disso, a rotina agitada, muitas vezes, sobrecarrega os trabalhadores. Em meio a este cenário está inserido o trabalhador negro que, assim como nas demais profissões, se depara com baixos salários e dificuldade de ascensão profissional.

"Os negros do ramo financeiro ocupam uma pequena fatia, de apenas 19%, sendo que 11% são homens e 8% são mulheres, e ganham menos que os brancos", conta o recém-eleito presidente do Sindicato dos Bancários do ABC, Eric Nilson, que há 14 anos trabalha no setor bancário e que já ocupou o cargo de secretário geral no sindicato.

A experiência que ganhou ao longo da carreira bem-sucedida, construída em um banco público, rendeu a Eric Nilson a experiência necessária para falar sobre as dificuldades que o trabalhador negro ainda encontra em pleno século 21. "Hoje sou consultor de processos, cargo similar ao de gerente, mas isso por causa da origem do banco, que é público. Nós não temos muitos negros ocupando posições de chefia, como gerência e superintendência. É um índice muito baixo", lamenta o presidente.

Eric também avalia que discutir questões raciais dentro do próprio sindicato é delicado. Nesse aspecto, a luta contra o preconceito passa a ser interna e externa. No entanto, o Sindicato dos Bancários do ABC conseguiu derrubar alguns obstáculos. "Dentre as conquistas internas, estão os cargos ocupados pelos negros. O primeiro presidente negro da 'era cutista', José Luiz da Silva, e o atual presidente", destaca o sindicalista ao mencionar seu cargo.

Atualmente, o combate ao prejudice é conduzido por meio de ações de conscientização e debates, organizados pelo sindicato e também em eventos idealizados pela Central Única dos Trabalhadores (CUT).

O presidente eleito no início de abril, cujo mandato vai até 2015, é o segundo negro a ocupar o cargo na "era cutista" do sindicato. Agora, Eric Nilson tem a missão de manter o engajamento do Sindicato dos Bancários do ABC na luta contra o racismo.

Eric Nilson - Presidente Sindicato dos Bancários

O Início da luta dos bancários do ABC

No ramo bancário, a luta dos trabalhadores passou a ganhar intensidade por conta dos baixos salários e pela falta de sensibilidade dos banqueiros, em relação aos trabalhadores. Após uma reunião ocurrida na Rua Coronel Oliveira Lima, no dia 4 de março de 1959, foi criada a Associação Profissional dos Empregados em Estabelecimentos Bancários de Santo André, São Bernardo, São Caetano, Mauá e Ribeirão Pires, a atual Associação dos Bancários do ABC. Em pouco tempo a associação, localizada na Rua Luiz Pinto Fláquer, ganharia também a participação de mais dois municípios: Diadema e Rio Grande da Serra. À época, o primeiro presidente eleito foi Lincoln dos Santos Grillo. "Era um sacrifício tremendo reunir as pessoas, os sindicatos eram malvistos", lembra o ex-presidente. Com o golpe militar de 1964, no entanto, os sindicatos do País atravessaram um período marcado por perseguições, prisões e passaram a ser observados de perto pelo Departamento Estadual de Ordem Política e Social (Deops).