Da Fábrica para o Congresso

Uma publicação do Centro de Estudos Sociais e Sindicais 1º de Maio

"Onde houver democracia, ninguém será julgado pela cor da pele. Esse é nosso sonho, para todos serem avaliados pelo caráter." A frase do deputado federal Vicente Paulo da Silva, mais conhecido como Vicentinho, expressa o sonho de viver em uma sociedade melhor e com direitos garantidos para todos.

De acordo com Vicentinho, os italianos foram decisivos na criação dos principais sindicatos brasileiros. "Como eram politizados, acabaram trazendo para cá a ideologia do anarquismo e do comunismo, que foram cruciais para o desenvolvimento do movimento sindical". destaca.

As questões de ordem racial começam a se fortalecer no seio do sindicalismo brasileiro com a criação da Comissão da Luta pela Igualdade Racial, responsável pelo desenvolvimento de ações e políticas contra a discriminação. "Com a implantação dessa secretaria, foram criadas importantes ferramentas de comunicação como a Tribuna Metalúrgica e depois a Tribuna Negra, que abordavam questões sobre a luta pela igualdade racial no trabalho".

O militante recorda de negociações que marcaram sua carreira dentro do movimento sindical. "Quando a Mercedes-Benz instalou uma fábrica na cidade de Minas Gerais, houve acordo para a contratação de negros na unidade; o mesmo ocorreu na Ford, quando instalou uma unidade na Bahia. Desde então, a participação dos negros tem crescido bastante no mercado de trabalho".

Para Vicentinho, o sindicato possui ações muito expressivas na luta pela igualdade racial. "Na história do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo temos companheiros importantes, como o ex-secretário e vice-presidente Barbosa, um negro que sofreu com as consequências do golpe militar. Essa sensibilidade para tratar as questões raciais começou com militantes do movimento negro, que chamavam atenção para essas questões e faziam a discussão na fábrica. Nós evoluímos bastante nesse aspecto da participação do negro", avalia.

Em parceria com o movimento sindical, Vicentinho também tomou parte na fundação do Instituto Sindical Interamericano pela Igualdade Racial (Inspir), em 1995. "A criação desse instituto foi marcante e fundamental para a luta e desenvolvimento das questões raciais no sindicato, pois além de garantir o direito de igualdade dos negros pela oportunidade de trabalho, também garante o direito de igualdade para as mulheres e para as pessoas com deficiência. Também criamos a campanha 'Disque Escravidão", contra o trabalho escravo que ainda existe no Brasil", destaca.

No Congreso, o parlamentar encabeça ações para garantir os direitos dos trabalhadores, contra qualquer tipo de discriminação, e, atualmente, apresentou o projeto de Lei 3452/2012 que regulamenta, na Constituição Federal, o reconhecimento e titulação das terras ocupadas por remanescentes das comunidades dos quilombos.

Para o deputado, a questão da discriminação racial no País avançou bastante. "Primeiro o presidente Lula criou o Ministério da Igualdade Racial, para desenvolver políticas nesse sentido. Isso acabou surtindo efeito positivo que desencadeou ações, como a aprovação do Estatuto da Igualdade Racial. Desde 1951, criam-se leis para combater o preconceito racial, como a Lei Afonso Arinos".

Segundo Vicentinho, as leis estão mais rígidas e as empresas sérias estão acabando com a postura preconceituosa. "Aos poucos vamos construindo cominhos para garantir aos negros as mesmas oportunidades de trabalho ofertadas aos brancos".

No chão de fábrica, no entanto, ainda é preciso desenvolver uma política para asseguras aos negros as mesmas oportunidades. "É raro, por exemplo, um chefe ou uma secretária negra, como é raríssimo um diretor de uma empresa negro. Precisamos trabalhar muito para evoluirmos nessa questão, afinal os negros têm os mesmos direitos", conclui.

"Aos poucos vamos construindo caminhos para garantir aos negros as mesmas oportunidades de trabalho ofertadas aos brancos".

Vicentinho sempre esteve à frente das manifestações trabalhistas por melhores condições de trabalho

Um Jornal dos trabalhadores

Uma preocupação presente entre os militantes sindicais é a comunicação, e dificilmente encontraremos um sindicato que não edite um jornal.

O mais antigo jornal de um movimento de trabalhadores, ainda em circulação, é o jornal A Classe Operária, fundado em 1º de maio de 1925, editado por militantes do Partido Comunista do Brasil (PCdoB).

A foto que marca seu lançamento, sem identificação de seus componentes, mostra vários operários negros, que , naquele momento, já lutavam por melhores condições de trabalho e oportunidades.

Poucos messes depois de sua fundação, em julho de 1925, o jornal foi impedido de circular por meio de repressão policial. A Classe Operária volta a ser vendido nas portas de fábricas em 1928.

Em sua história, o jornal tem a sua circulação interrompida em vários períodos. Em outros, como durante o regime militar, circulava na clandestinidade. Desde 1985 tem periodicidade regular, editado semanalmente.

Uma preocupação presente entre os militantes sindicais é a comunicação, e dificilmente encontraremos um sindicato que não edite um jornal.