A história do Sindicato dos Servidores de São Bernardo começou após a Constituição de 1988, que garantiu o direito de sindicalização aos funcionários públicos. O manifesto de fundação foi redigido pelo servidor Alvaro Luiz Pina Guimarães.
Durante a primeira assembleia ficou definida a diretoria provisória, que ocupou o cargo por seis meses. Sendo assim, a fundação do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais e Autárquicos de São Bernardo do Campo ocorreu em 11 de janeiro de 1989.
A experiência trazida por integrantes que participam de movimentos sociais também foi um fator importante para que a questão do trabalhador negro fosse debatida no sindicato. O ex-vice-presidente Benedito da Silva Lemes, o Ditinho da Congada, e o atual diretor de administração Carlos Alberto da Silva, conhecido como Ketu, são personagens que ajudaram o Sindicato dos Servidores de São Bernardo a implantar políticas raciais internas e também a ampliar os debates sobre o negro que trabalha no serviço público. Ditinho, aliás, adotou o sobrenome "Congada" por conta de sua militância na divulgação da cultura africana na região – congada é um evento folclórico que reúne tradições tribais de países africanos, como Angola e Congo. Já o diretor de Administração, Carlos Alberto, que já ocupou o cargo presidente no sindicato, acredita que sua participação em movimentos de combate ao racismo foi importante. "Eu trouxe a experiência de militância no movimento negro. O sindicato precisa se relacionar com os movimentos sociais", defende.
Dentre as lutas para ampliar as discussões sobre a questão do negro na categoria, o diretor de Administração destaca a última campanha salarial, organizada durante sua gestão na Presidência, ocorrida em 2011, que solicitou também o levantamento de dados estatísticos no setor público de São Bernardo do Campo. "Esse estudo vai levantar quantos servidores públicos são negros, quantos são mulheres e quais os cargos que ele ocupam. Seria um Raio X da categoria na cidade", explica. Segundo Carlos Alberto, essas informações irão facilitar a identificação de problemas rotineiros para que novas políticas sejam elaboradas. O estudo foi aprovado pela administração da cidade e está em fase de elaboração.
Embora o setor público proporcione um meio de contratação mais justo que o setor privado – por conta dos concursos -, a administração do Sindicato dos Servidores de São Bernardo acredita que ainda há barreiras que dificultam a ascensão do trabalhador negro, principalmente, para ocupar cargos de chefia. O levantamento de estatísticas do setor, que está em andamento, irá possibilitar uma visualização mais detalhada sobre a trajetória e a carreira do servidor.
Além disso, algumas datas específicas também passaram a integrar a programação do sindicato. "Conseguimos que o dia 20 de novembro (Consciência Negra) fosse aprovado, que era uma reivindicação do movimento negro e não apenas do sindicato. Foi uma ação conjunta", conta.
De acordo com o diretor, ações organizadas no movimento sindical são capazes de ampliar o debate sobre a questão racial. "O sindicalismo abre portas que possibilitam visualizar uma área mais ampla e com isso ter um leque maior de opções", destaca.
Para Carlos Alberto, a conscientização é o meio mais eficaz de combater o racismo e construir um País mais justo para todos. Além disso, o diretor alega que esse tipo de discussão precisa ocorrer com mais frequência e não ficar apenas restrito aos integrantes de movimentos sociais. "Não tem como resolver o problema sozinho, sem parcerias. A questão do racismo no Brasil não é só um problema da população negra, é algo que afeta nosso País, que cria divergências, desigualdades", diz. No entanto, o racismo na sociedade brasileira ainda é um tema delicado, no qual as pessoas ficam constrangidas durante os debates e preferem manter certa distância. "Existe muita resistência, as pessoas acham que discutir esse tema quer dizer que você não gosta do seu colega, que você está acusando-o de ser racista, isso incomoda. Mas a questão não é essa. Existe um problema no País e precisamos resolvê-lo, não adianta fechar os olhos", alerta.
O diretor também lembra que os trabalhadores negros, principalmente os que estão ligados a sindicatos, precisam participar desse tipo de discussão. "Quem é sindicalista e negro neste País tem a obrigação de discutir a questão racial desenvolver políticas, participar", afirma. No Sindicato dos Servidores de São Bernardo, há alguns anos, a administração tem procurado refletir sobre a questão racial quando seleciona funcionários para cargos internos. "Aqui no sindicato, quando temos que contratar profissionais, tentamos dosar isso. Procuramos brancos e negros. Muitas pessoas questionam o fato de competência, entretanto, isso é uma questão primária. Claro. Mas na política do sindicato, quando fazemos uma contratação, é preciso questionar para que essas pessoas, que têm suas diferenças culturais, possam dialogar entre si.", explica.
"Quem é sindicalista e negro neste País tem a obrigação de discutir a questão racial de desenvolver políticas, participar", diz Carlos Alberto.
